Romaria à Santa Eufêmia | Rancho Folclórico de Paranhos da Beira

Romaria à Santa Eufêmia

Das manifestações religiosas do povo de Paranhos da Beira avultam dois grandes acontecimentos: a Festa do Senhor do Calvário (no último domingo de Agosto) e a Romaria à Santa Eufêmia (na segunda-feira de Páscoa e a 16 de Setembro). Esta última assume-se, na verdade, como uma das maiores concentrações de fé e devoção em toda a Beira Alta.Romaria à Santa Eufêmia

À romaria a Santa Eufêmia (também conhecida como Santa Eufêmia dos Matos, por estar inserido, o seu santuário, nos arredores de Paranhos da Beira, em paisagem agreste e inculta) se juntam, num efeito caleidoscópico, outras manifestações de índole profana, que demonstram a vitalidade que a adesão popular empresta a este acontecimento. Referimo-nos aos bailes que espontaneamente se organizam, às tascas que alimentam os corpos, após as obrigações espirituais, às feiras onde se vende um pouco de tudo, etc.

As romarias, sendo um dos acontecimentos regionais de maior vulto, permitiam o encontro das gentes de todas as classes, que ali acorriam para se mostrar e reavivar ou renovar conhecimentos, saber notícias de fora, estabelecer relações e negócios e também para se divertir e brilhar, na variedade dos seus trajes, de panos feitos nos teares familiares, dos seus cantares e danças, numa manifestação de vaidades regionais, adaptadas ao estatuto social de cada grupo.

Na véspera das celebrações religiosas, os grupos de romeiros encaminhavam-se, de todas as direcções, a pé, em rusgas festivas, muitas vezes em jornadas que se prolongavam por mais que um dia. Caminhando por itinerários já fixados por longos anos de peregrinação, traziam as merendas à cabeça, recobertas de alvas toalhas bordadas e enganavam, muitas vezes, o cansaço pelo toque das concertinas, do harmónio e/ou das violas. Cantavam e dançavam, quando o piso e a oportunidade o permitiam.

Em tempos que já constam apenas da memória de alguns poucos, o povo de Paranhos da Beira habituara-se a assistir nos terreiros, ou no adro da Igreja, a estes grupos de peregrinos que, por vezes a troco de alguma comida ou dormida, se manifestavam através do canto e da dança. Quando se juntavam vários grupos ou ranchos, logo se armavam bailes improvisados.

À vista do santuário, os romeiros refrescavam os pés, no ribeiro que passa próximo, as mulheres calçavam as meias rendadas e as chinelas. Se acontecia que o rancho era conhecido e esperado, a música vinha recebê-lo à chegada do recinto da festa, enquanto estrelejavam os foguetes. Pode dizer-se que a jornada constituía, a par do fervor religioso, o outro importante atractivo destas romarias e um dos seus momentos de mais festivo ludismo.